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O espírito da cana

Bons dias e bons vinhos!

 

Prometi que falaria aqui de vinhos.

Mas… Tem dias que pedem uma boa pinga. Como essa sem nome que degusto aos bocadinhos enquanto o sol morre, avermelhando as dunas e eu penso na vida. Bebericando e mastigando, aqui e ali, um pot-pourri de amêndoas variadas, frango apimentado, passas e otras cositas más.

Cachaça by Danny Botelho – Flickr

 Pinga boa tem que ter nome e pedigree, certo?  Errado! as melhores pingas levam, quando muito, o nome do dono do alambique, da fazenda ou da região onde foi fabricada.

Tem pinga de alambique muito boa em Correntina, em Central, no Brejo dos Padres em Caetité, na Passagem dos Bois, em Wagner. Normalmente, pego direto na fonte aos litros. A de Correntina foram cinco litros que duraram… até o fim.

Agora compro apenas um litro de cada, em todo lugar aonde vou. Por conta disso já tenho uma pequena coleção que identifico com marcadores permanentes pela região de origem.

Alambique/Barris by Danny Botelho – Flickr

 Atualmente tenho duas excelentes. A orgânica da Serra das Almas, industrializada segundo todos os preceitos, garrafa bonita de louça, cara, caríssima, e a comumzinha, não industrializada, pé-duro, baratinha, quase nada, da Zabelê, em Iraquara. Essa garrafa comprei no Bar São José, em Seabra, do meu amigo Di de Zé de Cabocla, onde também se bebe a melhor limonada da região.

A pinga da Zabelê desce suave. Na garganta tem textura de veludo ou seda. Redonda, como um bom destilado deve ser. Tem aroma de cana, remete a terra e pasto. É vendida em litros. Se você não tem o vasilhame, periga levar pra casa uma joia envolta por garrafa PET.

Se resolver aderir à nossa cachacinha, dê preferencia às mais envelhecidas, pois segundo meu amigo Fernando Viana, quanto mais velha mais macia. A pinga nova ainda tem garras afiadas. Observe o colar, aquele colar mesmo que se forma ao redor do recipiente quando você sacode a garrafa. Quanto maior e mais duradouro melhor é a cachaça, foi o que me ensinou seu Zé Araújo, meu cunhado,  há muito, muito tempo.

Pra terminar, um conselho de amiga: use com moderação. Não se esqueça que a cachaça é o espírito da cana e portanto tem um teor alcoólico bem maior que o do vinho. Bem maior mesmo.

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